Dra. Cristina Carneiro

Ligadura das trompas tem reversão?

Ligadura das trompas tem reversão?

Muitas mulheres com parceiro fixo e que não desejam engravidar, quer já tenham tido filhos ou não, podem lançar mão de uma série de procedimentos para evitar uma gravidez indesejada. No Brasil, um desses procedimentos mais comuns é a laqueadura. Mas, será que é possível realizar a reversão da ligadura das trompas?

Essa é uma preocupação de diversas mulheres, uma vez que, com a inserção no mercado de trabalho, somado ao maior número de divórcios nas últimas décadas, muitas que já realizaram o procedimento estão mudando de opinião sobre ter filhos, e aí vem a pergunta do título deste artigo.

Mas, antes de ela ser respondida, é necessário compreender no que a laqueadura de fato consiste.

Como é realizada a laqueadura das trompas?

Para que ocorra a fertilização, é necessário que o óvulo da mulher se encontre com o espermatozoide masculino e, depois de fertilizado, adentre a cavidade uterina, onde o embrião se desenvolverá.

Nesse encontro, o óvulo deve passar pelas tubas uterinas. A laqueadura se concentra justamente nesse ponto, já que consiste na interrupção ou retirada das tubas, para que o óvulo não tenha como chegar ao encontro do espermatozoide.

Reversão da ligadura das trompas

A boa notícia para as mulheres que desejam engravidar é que a laqueadura pode, sim, ser revertida. A má notícia é que o sucesso dessa reversão não é garantido, pois depende de uma série de fatores.

Em primeiro lugar, a reversão só pode ser realizada quando a parte final da tuba uterina não tiver sido retirada e quando ela está em bom estado, isto é, não esteja dilatada, uma vez que isso compromete o fluxo de sangue na região.

Além disso, é necessário considerar se a tuba foi ou não retirada por inteiro. Quando foi feita apenas a retirada parcial, as chances de sucesso são grandes.

A forma com que o procedimento é realizado também interfere no resultado final. As tubas são estruturas finas e extremamente delicadas, o que significa que a abordagem para a reversão da laqueadura deve ser, também, delicada. Assim, a cirurgia geralmente é feita por meio de cirurgia robótica, que, além de ser menos invasiva, permite maior precisão nos movimentos.

Após a remoção da cicatriz, a junção e a sutura das trombas, é realizado um teste para verificar se o procedimento foi bem-sucedido. No entanto, vale ressaltar que as chances de engravidar mesmo diante de um procedimento bem-sucedido dependem da idade, da reserva de óvulos da mulher e da quantidade de sêmen do parceiro.

Por fim, é preciso destacar que, caso o procedimento de reversão da ligadura das trompas não dê resultado, é possível recorrer à fertilização in vitro.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista em São Paulo.

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Aborto espontâneo: por que acontece e como evitá-lo?

Aborto espontâneo: por que acontece e como evitá-lo?

Estudos mostram que a taxa de aborto espontâneo entre mulheres com até 35 anos é de 15%. Trata-se de uma taxa bastante alta, se considerarmos os aspectos emocionais, sociais e familiares relacionados à gravidez, o que sugere a necessidade de as entidades governamentais de saúde se debruçarem sobre o tema.

Junte a isso os casos de aborto induzido, sobre os quais dados apontam 850 mil casos por ano. Esses acarretam, ainda, a morte de uma mulher a cada 2 dias, em consequência de procedimentos clandestinos. Nas mulheres acima de 40 anos, a gravidez é naturalmente de risco, e, entre 30% e 40% delas, abortam espontaneamente.

Num país em que a pirâmide etária caminha rapidamente para o envelhecimento da população, esses dados se tornam ainda mais alarmantes, pois trazem impacto social e econômico negativo.

Causas do aborto espontâneo

O aborto é espontâneo quando acontece independentemente da determinação da mãe. A maioria dos casos ocorre antes do final do 3º mês de gestação, período em que o processo de formação do feto é inicial e intenso, com a implantação do óvulo fecundado no útero, a divisão celular e o desenvolvimento dos primeiros órgãos vitais e das primeiras estruturas.

Além da idade materna, reconhecida como fator de risco, em razão de fatores genéticos, alterações uterinas e falhas na adaptação do feto no útero podem ocasionar o aborto.

A presença de doenças infecciosas ou sistêmicas, que podem afetar o embrião, a exposição a agentes externos nocivos, como químicos tóxicos, distúrbios do sistema endócrino e desequilíbrio hormonal são fatores de risco. Principalmente este último, pois são os hormônios os responsáveis pelo equilíbrio do processo de gestação.

Condições de saúde, como presença de diabetes, DST, citomegalovírus e ovários policísticos, são fatores de risco para a gravidez. Hábitos nocivos, como tabagismo, uso de drogas, álcool e abuso de cafeína também aumentam o risco de aborto, assim como se a mãe teve casos precedentes de perda de bebê durante a gestação. É indicado que, para evitar reincidência, a mulher procure identificar as causas que levaram ao 1º aborto, para tratá-las se necessário.

Caso a gestante, durante o período inicial da gravidez, observe espasmos abdominais, contração, sangramento e febre alta, deve procurar imediatamente o médico, pois esses são sintomas de processo abortivo.

O que fazer para evitar?

Além de identificar a razão de casos anteriores já ocorridos no histórico da mulher, há medidas que ajudam a mãe a evitar o aborto espontâneo. Procurar fazer exames que antecedem a gravidez, tanto no homem quanto na mulher, ajuda a prevenir, inclusive, o risco de doenças de natureza genética ou cromossômica.

Além disso, realizar o pré-natal, seguir as orientações médicas, cuidar da alimentação, fazer repouso e suspender medicação que traga risco para a gravidez são medidas importantes. Em alguns casos, pode ser recomendada a suplementação com ácido fólico e terapia hormonal para contornar fatores de risco.

Uma boa notícia é que, recentemente, o Victor Chang Cardiac Research Institute, da Austrália, descobriu que uma deficiência no dinucleótido de nicotinamida e adenina, uma molécula importante na formação do bebê, é uma das causas mais comuns de abortos espontâneos. Pesquisas mostram que o problema pode ser controlado com suplementação de vitamina B3. E testes feitos com cobaias mostraram que há chance de até 100% de sucesso, inclusive na eliminação dos problemas de má-formação dos embriões.

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Mioma e infertilidade: qual a relação?

Mioma e infertilidade: qual a relação?

O mioma uterino é um tumor benigno que se desenvolve na parede do útero, sendo bastante comum entre a população feminina com idade reprodutiva, mais especificamente dos 30 aos 50 anos.

Embora não se trate de um tumor maligno, é importante esclarecer que ele pode trazer algumas complicações, como, por exemplo, a dificuldade para engravidar. Entretanto, essa relação entre mioma e infertilidade não significa que o tumor seja o grande responsável pelo problema.

Quando o mioma pode afetar a fertilidade?

Apesar de essas alterações serem comuns entre as mulheres, são poucos os casos em que eles comprometem de forma significativa a fertilidade feminina. Normalmente, quando isso ocorre, a paciente tem as chances de engravidar reduzidas em aproximadamente 70%.

Mas, quando é que o tumor resulta em infertilidade? Isso irá depender não só do tipo de alteração, como também da localização da estrutura no corpo do útero.

Esse tipo de tumor benigno é classificado em 5 tipos, os quais estão listados a seguir.

  • Pediculado
  • intramural
  • Submucoso
  • Parturição
  • Subseroso

Dessas 5 classificações, os tipos intramural, submucoso e subseroso são os mais comuns. O submucoso é o que pode trazer problemas de infertilidade, uma vez que ele se instala na cavidade endometrial, região onde o embrião se desenvolve, podendo resultar em aborto ou partos prematuros.

Tanto o aborto quanto o parto prematuro têm os riscos elevados por conta da sensibilidade de alguns desses tumores, com relação aos hormônios produzidos pelo organismo da mulher durante o período de gestação.

Obstrução tubária e anatomia do útero também são algumas das consequências causadas por tais estruturas, dependendo da localização delas.

Como diagnosticar os miomas?

Normalmente, esse quadro é assintomático. Entretanto, quando a paciente apresenta sinais, a alteração costumam se manifestar como:

  • dificuldade para engravidar;
  • fluxo menstrual intenso e prolongado, perdurando por até 20 dias;
  • dores pélvicas semelhantes a cólicas;
  • maior frequência urinária ou dificuldade para urinar e evacuar;
  • dor e incômodo durante a relação sexual.

Tratamento

Mulheres que desejam tratar a condição devem buscar um médico ginecologista. Contudo, o tratamento varia, existindo até mesmo a possibilidade de não precisar tratar o quadro, dependendo do caso.

Uma vez que os problemas causados em decorrência da presença desses tumores variam conforme o porte e a localização deles, é fundamental que seja realizada uma série de exames, para que o ginecologista possa determinar o tratamento mais indicado para que a paciente consiga engravidar.

Em casos nos quais a paciente sofre de infertilidade causada por miomatose, o tratamento mais adequado é a cirurgia de remoção do tumor.

É válido destacar que nem toda mulher portadora de mioma precisa se submeter a tratamentos para conseguir engravidar. Essas exceções ocorrem quando os tumores são bem pequenos e não interferem no sistema reprodutor nem causam sintomas, sendo detectados por meio de ultrassonografia. Entretanto, isso deverá ser avaliado pelo especialista.

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Como casais homoafetivos podem ter filhos por meio da reprodução assistida?

Como casais homoafetivos podem ter filhos por meio da reprodução assistida?

Há até pouco tempo, legalmente não era possível que os casais homoafetivos pudessem ter filhos naturais ou adotivos. No entanto, as leis mudaram e, hoje, esses casais podem ter uma família completa, seja por adoção ou seguindo técnicas de reprodução assistida.

As técnicas mais utilizadas são a inseminação artificial e a fertilização in vitro, mas é preciso se adequar às regras e conhecer cada passo do procedimento. Neste artigo, esclarecemos as dúvidas mais comuns sobre reprodução assistida.

As normas éticas da reprodução assistida

A resolução 2.013/13 do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi criada para adotar normas éticas para a reprodução assistida de casais homossexuais. Ela considerou as complicações da infertilidade humana como um problema de saúde e visava legitimar tratamento para superá-la.

Também reconheceu legalmente a entidade estável familiar homoafetiva. Com o avanço da ciência, já há uma grande variedade de soluções relacionadas à reprodução dentro dos princípios éticos da medicina, com procedimentos distintos para cada caso.

A doação de óvulos ou espermatozoides segue as mesmas diretrizes de casais heterossexuais, uma vez que não podem ter caráter comercial. Ou seja, não é possível que se pague qualquer valor para o doador e também não é possível conhecer a identidade deles. Porém, é permitido que a doação seja feita por parentes ou amigos próximos que estejam com a saúde em dia.

Para realizar o registro civil de quem tem homoparentalidade, é preciso ter um termo de consentimento, com firma reconhecida, bem como um termo de declaração da clínica de reprodução humana.

Técnicas de reprodução assistida

Há vários métodos de reprodução assistida, que variam de acordo com o tipo de relação e o organismo. Quando o casal é formado por dois homens, a técnica usada é a fertilização in vitro, para a qual é necessário que haja uma doadora temporária do útero, para receber o embrião e manter a gestação por nove meses.

A mulher deve fazer parte da família de uma das partes do casal ou pode haver uma requisição ao Conselho Regional de Medicina para que a doadora seja uma amiga próxima.

No Brasil, é ilegal a barriga de aluguel e, além do útero, é preciso também doar o óvulo a ser fecundado por alguém dos membros do casal. A doação de óvulo é anônima e a mulher deve ter, no máximo, 35 anos de idade e o sêmen pode ser de um dos pais, que faz uma avaliação completa por meio do espermograma completo e de um índice de fragmentação do DNA.

A fertilização in vitro também pode ser feita por casais de mulheres com o sêmen de um doador anônimo, cuja identidade se manterá em sigilo. É possível também que o casal realize uma gestação compartilhada, em que uma parte fornece o óvulo e a outra engravida. Para ambos os casos, o resultado positivo atinge uma média de 45%. É um método bastante delicado e depende de muitas variáveis que envolvem a saúde do casal.

A inseminação artificial é um método que só pode ser realizado por casais de mulheres. Uma das parceiras recebe uma estimulação da ovulação por um período determinado, para que possa produzir mais óvulos mensalmente. Ao perceber a fertilidade da mulher, são depositados espermatozoides dentro do útero para que, então, o óvulo possa ser fecundado.                                                                                                                                                                                   

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Abortamento de repetição: diagnóstico e tratamento

Abortamento de repetição: diagnóstico e tratamento

Abortos podem acontecer a qualquer mulher grávida. Na verdade, eles acontecem com cerca de 25% delas, espontaneamente, por muitos motivos. Geralmente, não tendem a ocorrer de novo. Existem alguns casos, porém, nos quais o problema não vai embora tão fácil: é o abortamento de repetição.

O quadro é considerado de repetição quando a mulher sofre três abortos consecutivos. Mas, a opinião dos médicos varia sobre essa definição, podendo ser de dois casos consecutivos. É consideravelmente raro que uma mulher passe por isso. As chances são de aproximadamente 1% a 5%.

Se o número de abortos chegou a três, é importante que o casal procure por um obstetra, que possa investigar o que está causando as perdas.

Causas do abortamento de repetição

Cerca de 25% dos casos permanecem com as causas indeterminadas. Parece muito, e realmente é, mas essa é uma mudança positiva em relação há alguns anos. Antes dos estudos recentes sobre o assunto, até 70% dos casos ficavam sem respostas. Atualmente, já foi identificado que em torno de 40% dos abortos de repetição são causados por embriões com alterações genéticas. Nesses casos, destacam-se os casos de embriões aneuploides, que começam a se desenvolver com número de cromossomos anormal.

Outras causas comuns para o problema são:

  • alterações anatômicas, como miomas ou malformações do útero;
  • causas imunológicas, como as células natural killers;
  • infecções e inflamações, como a endometrite crônica;
  • causas hormonais, como falta de progesterona;
  • trombofilias, que alteram a coagulação do sangue;
  • fatores masculinos, como a fragmentação do DNA dos espermatozoides, causada muitas vezes pelo fumo, uso de drogas ou por idade avançada;
  • doença celíaca, caracterizada pela intolerância ao glúten.

O que fazer?

Só o médico obstetra poderá afirmar com certeza quais passos a mulher deve seguir a partir dos abortos. Depois de visitar um profissional, ela provavelmente terá de fazer exames radiológicos, ultrassons e ressonância magnética, entre outros, conforme solicitado.

Os tratamentos dependem muito da causa encontrada. Se infecciosa, por exemplo, um tratamento que controla a infecção já deve ser o suficiente para resolver os abortos. Todavia, se for anatômica, é provável que seja necessária uma cirurgia, quando for possível. Ou seja, é realmente imprevisível, visto que varia de paciente para paciente.

Ainda assim, muitas vezes é indicado o acompanhamento psicológico, principalmente ao se considerar que os abortos causam sofrimento à mulher e ao casal. Depois do diagnóstico, se o tratamento em si não for o bastante para recuperar a capacidade de a mulher seguir com a gestação, ela pode ser encaminhada para uma clínica de reprodução assistida, ou um profissional especializado.

Esses profissionais lidam com casos de abortamento de repetição o tempo todo e têm conhecimento e tecnologia para melhorar as chances da maioria das mulheres que os procuram.

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Entenda quais são as regras para a reprodução assistida

Entenda quais são as regras para a reprodução assistida

O primeiro bebê de proveta do mundo nasceu há 40 anos, nos Estados Unidos. Aqui, no Brasil, a primeira experiência bem-sucedida ocorreu em 1984. Desde então, foram inúmeros nascimentos concretizados através da inseminação artificial ou fertilização in vitro.

Graças às técnicas de reprodução humana assistida, mulheres solteiras, casais heterossexuais e homossexuais podem concretizar o sonho de ter filhos com suas características genéticas. Mas, o Conselho Federal de Medicina estabelece regras para a reprodução humana assistida, as quais são revisadas a cada dois anos.

Conheça as principais regras para a reprodução assistida

Número de embriões

A quantidade de embriões a serem implantados varia conforme a idade da mulher. Até os 35 anos, são permitidos até 2 embriões. Entre 36 e 39 anos, apenas três. Em mulheres com 40 anos ou mais, o máximo são quatro embriões. O objetivo é reduzir a ocorrência de gravidez múltipla. É proibida a redução de embriões, em caso de gemelaridade.

Seleção genética

É vedada a seleção genética de embriões, assim como a sua comercialização. O sexo da criança só pode ser escolhido se houver risco de doença genética relacionada ao sexo.

Descarte de embriões

O prazo de 5 anos para o descarte de embriões foi reduzido para 3 anos. Se, após esse período, a clínica não conseguir fazer contato com os responsáveis, poderá descartá-los, se assim desejar.

Doação compartilhada de óvulos

Até 2015, para ter acesso à fertilização in vitro, gratuitamente ou com desconto, a mulher precisava doar uma parte de seus óvulos. Desde 2017, se ela não quiser fazer isso, poderá ter acesso aos benefícios, desde que apresente outra doadora de óvulos.

Gestação após a morte ou divórcio

É permitida, desde que os envolvidos tenham assinado um documento de autorização para dar continuidade à gestação, caso um dos responsáveis pelos gametas ou embriões congelados venha a falecer. A mesma regra vale para casos de divórcio.

Barriga solidária

Quando a mulher não tem condições para gerar um bebê no próprio útero, devido a doenças graves, malformação uterina ou porque fez uma histerectomia (remoção cirúrgica do útero), é possível recorrer à barriga solidária.

Nesse caso, outra mulher (filha, mãe, avó, tia, prima ou sobrinha) poderá emprestar o útero para o implante e gestação do embrião, fertilizado em laboratório. A regra atual permite à mulher solteira recorrer à barriga solidária para ter um filho com seu material genético.

Preservação da fertilidade

Antigamente, a reprodução assistida só era autorizada para pessoas com problemas reprodutivos. Hoje, pacientes com câncer podem congelar seus gametas antes de iniciar o tratamento da doença para que possam gerar filhos, no futuro. O congelamento de gametas também é permitido quando a mulher ou o casal planeja ter filhos mais tarde.

Casal homossexual

O casal homossexual pode recorrer à reprodução assistida para ter filhos com o material genético de um dos parceiros. Isso pode ser feito através da inseminação artificial, fertilização in vitro, com ou sem a barriga solidária (necessária ao casal formado por homens e opcional para o casal formado por mulheres).

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Como a obesidade interfere na fertilidade?

Como a obesidade interfere na fertilidade?

A obesidade é uma doença que vem crescendo cada vez mais entre a população do mundo todo. O distúrbio é origem de inúmeras doenças graves, como diabetes e hipertensão. Além dessas condições mais frequentes, também pode ser responsável por outros danos à saúde, como a infertilidade.

O risco de infertilidade atinge homens e mulheres, crescendo conforme o grau de obesidade. O ovário policístico também tem na obesidade uma de suas causas principais.  A baixa contagem da produção de sêmen, igualmente, está associada ao excesso de peso.

A relação entre a fertilidade e a obesidade

Há séculos já se atrelava a infertilidade à obesidade, inicialmente com estudos do homem e sua baixa produção de espermatozoide pelo excesso de peso. Hoje, pelo alto crescimento do número de obesos no mundo, a infertilidade voltou a se tornar um fator preocupante.

Homem e mulher detêm, cada um, 50% da responsabilidade pela infertilidade do casal. Em casais com o peso ideal e em idade reprodutiva, a cada seis, um apresenta algum tipo de infertilidade, mas esses números sobem para três a cada seis, quando um dos pares é obeso, independentemente da etnia e da condição social.

O estudo focado na consequência da obesidade para a infertilidade tem sido cada vez mais aprimorado. Enquanto a obesidade está relacionada no homem à sua baixa produção de espermatozoide, que diminui à medida que o peso aumenta, nas mulheres sua principal consequência é o surgimento da síndrome de ovários policísticos.

A síndrome do ovário policístico causa baixa na produção de hormônios e, consequentemente, dificulta o amadurecimento dos óvulos. A menstruação vai se tornando cada vez mais irregular até falhar por meses. Também acelera o desenvolvimento do diabetes tipo 2, que causa resistência do organismo à insulina.

A obesidade provoca também a hipertensão, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e disfunções hormonais diversas, sempre atreladas à quantidade de gordura corporal.  

Além das doenças relacionadas à obesidade, ela também pode prejudicar tratamentos de fertilização in vitro. O motivo é a dificuldade para implantar o embrião no útero, diminuindo significativamente as chances de concepção. Também amplia a incidência de abortos espontâneos.

Como tratar?

O peso ideal, hoje, é calculado por uma média entre o peso e a altura da pessoa, obtido pelo Índice de Massa Corporal (IMC). A partir de uma classificação prévia, o médico pode direcionar para determinado tratamento, inclusive a cirurgia bariátrica, assim como identificar as doenças correlacionadas de acordo com o índice.

Para encontrar esse valor, é só dividir o peso pela altura ao quadrado (IMC = peso/altura²). Se o índice encontrado for 20, a pessoa está abaixo do peso ideal, de 20 a 24,9 está no ideal, de 25 a 29,9 com sobrepeso, de 30 a 39,9 são obesas e acima de 40 estão em obesidade mórbida.

A influência da obesidade na fertilidade não é só pela baixa qualidade da alimentação, mas pelos efeitos internos que causa. Fatores ambientais, econômicos e sociais podem aumentar as chances de se desenvolver a doença, assim como os hábitos cotidianos e a forma que o organismo metaboliza. Com a sobrecarga do organismo pela obesidade, o corpo cede a inúmeras doenças.

O tratamento para infertilidade associada à obesidade é a perda de peso. É preciso modificar os hábitos, valorizar alimentos mais ricos em nutrientes e fazer atividades físicas, para que o peso diminua consideravelmente. Uma perda de 10% do peso já causa efeitos bastante positivos para a fertilidade.

É preciso constante acompanhamento de uma equipe multidisciplinar com endocrinologista, ginecologista, psicólogo e nutricionista, e cada ponto será devidamente trabalhado.

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Dificuldade para engravidar: quando procurar um especialista?

Dificuldade para engravidar: quando procurar um especialista?

A Organização Mundial de Saúde indica que até 15% da população mundial possui algum tipo e grau de infertilidade. Até há pouquíssimo tempo a infertilidade era atribuída sempre à mulher, mas a ciência demonstrou que a responsabilidade média é de 40% para cada um e 20% para ambos. Mas, ainda hoje, parte sempre da mulher a busca por respostas para sua dificuldade de engravidar, que pode ser causada por inúmeros motivos, inclusive psicológicos.

A principal dúvida é saber quando procurar um especialista ou se é apenas uma questão de tempo para realizar o sonho da gravidez. A grande maioria dos casos de infertilidade de hoje é tratável. Quanto mais cedo forem identificadas as razões do problema, melhor será o tratamento e maiores as chances de um resultado positivo.

O que é dificuldade de engravidar?

Para que seja identificada uma real dificuldade para engravidar, a mulher precisa passar um ano sem utilizar métodos contraceptivos e buscar a atividade sexual durante seus períodos mais férteis.

Só após esse período se deve buscar ajuda médica para detectar possíveis causas dessa dificuldade. Se já houver histórico médico que indique a probabilidade de infertilidade, como casos de família e mulheres acima de 35 anos, a procura deve ser após seis meses de tentativa.

A fecundação ocorre quando o óvulo é liberado pelos ovários até as tubas uterinas, após a média de 14 dias antes do primeiro dia de menstruação. Com o ato sexual, são expelidos espermatozoides no útero e apenas um consegue atingir o óvulo e fecundá-lo. Se nenhum conseguir, a mulher segue com seu ciclo menstrual normalmente.

Doenças e tratamentos

Mesmo que o processo pareça simples, muitos fatores físicos, ambientais e psicológicos podem influenciar a não fecundação.

Para as mulheres, os problemas físicos mais comuns são de ovulação, que ocorre quando o óvulo não consegue amadurecer ou eles não são produzidos todos os meses como o esperado.

Outros casos são óvulos de má qualidade, com anomalias cromossômicas ou danificados, e as trompas de falópio bloqueadas. Doenças, como a endometriose e a síndrome de ovários policísticos são bastante recorrentes.

Para os homens, os problemas mais comuns são a varicocele, um tipo de varizes nos testículos, obstrução de ejaculação, mobilidade ou contagem de espermatozoides e anticorpos que combatem os espermatozoides.

Entre os problemas que podem atingir tanto os homens quanto as mulheres estão a infertilidade inexplicável, cuja razão específica inexiste, além da combinação de problemas do casal. Considere-se, ainda, que tanto homens quanto mulheres vão perdendo sua fertilidade com o processo de envelhecimento.

Outros motivos ambientais e psicológicos podem influenciar muito na infertilidade do casal. Exemplos são a ansiedade e o estresse, que podem surgir pela pressa de engravidar e a consequente frustração por não conseguir. Nesses casos, não há necessidade de tratamento com medicação nem os mais elaborados de fertilização.

A necessidade é de ajuda psicológica para preparar o casal. Há casos de reprodução assistida que também têm como base a ansiedade, que muito prejudica a obtenção de bons resultados.

Para evitar tanto estresse, os médicos indicam que o casal faça uma avaliação completa de seu potencial reprodutivo antes de iniciarem as tentativas. Tanto o homem quanto a mulher devem passar pelo processo, para evitar qualquer dúvida e ampliar as chances de tratamento, caso seja detectado algum impedimento.

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Diferenças entre o parto humanizado e o parto tradicional

Diferenças entre o parto humanizado e o parto tradicional

Conforme a gravidez avança, as futuras mamães começam a se preocupar com a proximidade do parto e sobre como será esse momento. Anteriormente, era possível escolher entre o parto normal e a cesariana. Hoje há outras opções, como é o caso do parto humanizado.

Apesar de muitas pessoas acreditarem que parto normal e humanizado são a mesma coisa, na verdade, são situações diferentes. Muitas mulheres têm dado preferência à opção humanizada, pois há um foco maior nas necessidades do bebê e da futura mamãe.

Principais diferenças entre o parto humanizado e o parto normal

O parto tradicional

É aquele em que o bebê nasce por via vaginal. Pode haver anestesia peridural, com o intuito de diminuir a dor, e uso de ocitocina, para acelerar as contrações e o ritmo de dilatação, a fim de que o bebê venha ao mundo mais rapidamente.

Outra situação comum no parto tradicional envolve romper a bolsa de água, quando a dilatação chega a 8 cm. É indicado quando tanto a mãe quanto o bebê estão bem de saúde. Sendo bem conduzido, não gera nenhum problema.

O parto ocorre no hospital, com uma equipe médica e enfermeiros acompanhando a mãe e o bebê.

O parto humanizado

É aquele em que a mulher e o bebê são o foco principal do momento. É a mulher quem toma as decisões e está no controle de tudo. Não são usados medicamentos para acelerar a dilatação (como a ocitocina) e a anestesia é indicada apenas se a ela desejar.

O atendimento é único e conta com toda uma equipe especial, que sabe lidar com essa forma de parto. É respeitada a posição em que a mulher deseja ter o bebê, o momento do nascimento (não ocorre ruptura da bolsa antes do tempo, mas de forma natural), não é feita a episiotomia sem que a gestante concorde e autorize.

Outra grande diferença em relação ao parto normal é que a mulher tem total liberdade para se movimentar e se alimentar até que o bebê nasça. As intervenções são mínimas e feitas apenas se necessário ou se a gestante solicitar.

A equipe médica que acompanha o parto do bebê está presente para guiar o nascimento e trabalhar junto com a mulher, respeitando suas escolhas e não impondo protocolos ou aquilo que foi determinado sobre o momento do nascimento de uma criança.

Para realizar o parto humanizado, tanto a mãe quanto o bebê precisam estar com boa saúde e haver mais de 37 semanas de gravidez. Assim, não há riscos para nenhuma das partes. Quando o parto é prematuro ou de gêmeos, é preciso seguir os protocolos de obstetrícia, para garantir que a mulher e o bebê fiquem bem.

 

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Pré-natal: saiba quais exames devem ser feitos

Pré-natal: saiba quais exames devem ser feitos

Um pré-natal bem feito não só colabora no desenvolvimento do bebê como também garante a segurança e a saúde da mãe.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, 289 mil mortes aconteceram só em 2013, por complicações no parto e/ou no período da gravidez. A mortalidade materna, porém, vem se reduzindo expressivamente no Brasil, com taxa de menos 43% de 1990 (quando foram registrados mais de 520 mil óbitos) para cá.

Para que essa estatística continue progredindo, as futuras mamães devem se submeter a exames básicos no pré-natal. Eles são oferecidos gratuita e integralmente pelo SUS.

A seguir, confira quais exames são esses, por trimestre da gestação.

Exames do pré-natal no primeiro trimestre de gravidez

O carro chefe dos exames, que pode apontar a necessidade de outros, é o hemograma completo. O exame que determina a tipagem do sangue e o fator Rh indireto coombs (no caso de Rh negativo) também são essenciais.

Além desses, são solicitados logo nos primeiros meses:

– glicemia (glicose no sangue) em jejum;

– toxoplasmose IgG e IgM;

– teste rápido para triagem de VDRL e/ou sífilis;

– teste rápido para triagem de HIV;

– sorologia para investigação de hepatite B;

– sumário de urina + urocultura completa;

– ultrassonografia.

Pode, ainda, haver recomendação médica para exames que avaliam a secreção vaginal e os exames parasitológico de fezes e citopatológico de colo uterino.

Exames do pré-natal no segundo trimestre de gravidez

No segundo semestre, inicia-se um período mais calmo em relação à realização de exames. São geralmente solicitados:

– entre a 23° e a 28° semana, o exame de tolerância de glicose pode ser solicitado se houver fator de risco para desenvolvimento de diabetes ou se a glicemia no sangue estiver acima de 85 mg por dl;

– exame de coombs indireto, apenas no caso de Rh negativo.

Exames do pré-natal no terceiro trimestre de gravidez

Na reta final do pré-natal, mais uma boa bateria de exames será solicitada para garantir um parto bem sucedido. São eles:

– glicemia em jejum;

– hemograma completo e fator Rh (se negativo);

– urocultura;

– testes rápidos para sífilis e HIV;

– sorologia para rastrear possível presença do vírus da hepatite B;

– toxoplasmose IgG e IgM, caso o IgG dê negativo no primeiro trimestre.

 

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista em São Paulo.

Posted by Dra. Cristina Carneiro in Todos