Dra. Cristina Carneiro

Endometriose – como fazer o diagnóstico?

A Endometriose leve, quando os implantes são menores que 0,5 centímetro, é mais difícil de diagnosticar com exames de imagem. Então as queixas da paciente são muito importantes para o diagnóstico, que pode ser suspeitado apenas com uma boa conversa com o ginecologista.

A cólica menstrual forte, sangramento menstrual aumentado, dor na relação sexual e, mesmo a infertilidade são as queixas mais comuns. Antecedente de malformações uterinas, familiares com diagnóstico de endometriose podem estar presentes e aumentar as chances de a paciente apresentar endometriose.

O diagnóstico definitivo se dá com a cirurgia – videolaparoscopia – mas a cirurgia não é muito indicada exclusivamente para diagnóstico nos dias de hoje, devido o risco de complicações da anestesia, do procedimento em si e de aderências pélvicas (espécie de cicatrizes que podem colar um órgão a outro e causar dores e infertilidade), que podem ocorrer após uma laparoscopia, mesmo com a técnica perfeita do anestesista e dos cirurgiões ginecológicos.

A videolaparoscopia para diagnóstico e tratamento da endometriose pode ajudar muito, quando bem indicada e realizada por profissionais com habilidades cirúrgicas avançadas; pois a endometriose altera muito os órgãos, e de maneiras muito variadas. Portanto os profissionais especializados e treinados para o diagnóstico e tratamento da endometriose são os que, de acordo com estudos científicos realizados, são os mais capazes de identificar as lesões e tratá-las adequadamente, diminuindo os riscos de complicações, e cirurgias recorrentes.

Estima-se que 20% a 35% das pacientes com endometriose apresentem a forma moderada ou grave, modernamente chamada de forma profunda infiltrativa da endometriose.  O exame físico ginecológico, bem feito, com atenção para espessamentos e dor ao toque do útero e dos ligamentos ao redor deste órgão, ou mesmo a presença de nódulos na região pélvica, aumentam a suspeita de doença moderada ou grave, e justificam exames mais avançados, como a chamada Ultrassonografia especializada (com preparo do intestino e mais prolongado que a ultrassonografia pélvica transvaginal comum) ou a Ressonância Nuclear Magnética de Pelve especializada (com uso de contraste via vaginal e intestinal para determinar com precisão a localização e a extensão dos implantes endometrióticos). Estes exames são realizados por especialistas e direcionados ao diagnóstico da endometriose. A ultrassonografia de pelve comum, em geral, não é suficiente, colaborando principalmente nos casos de cistos de endometriose nos ovários – os endometriomas.

Não há, por enquanto, qualquer exame que possa ser realizado em sangue, urina ou fezes que possa dar certeza de diagnóstico de endometriose. O Ca-125 é um exame realizado no sangue, que indica inflamação dentro do abdome e, portanto, muito inespecífico, quando positivo aumenta as chances de o diagnóstico ser endometriose, mas o exame Ca-125 negativo não afasta o diagnóstico de endometriose.

Atenção 1: pacientes com endometriose grave podem apresentar ultrassonografia pélvica normal e exame de sangue Ca-125 normal!

Atenção 2: Pacientes com endometriose leve apresentam ultrassonografia pélvica normal, exame de sangue Ca-125 normal e também os exames especializados (USG e RNM) normais, já que, apenas lesões maiores que 0,5 cm podem ser vistas nos exames de imagem.

Então é muito importante uma conversa detalhada com o ginecologista na presença de cólica menstrual excessiva, dor na barriga fora do período menstrual, dor na relação sexual, menstruação com sangramento aumentado e dor para evacuar ou urinar no período próximo a menstruação.

O ginecologista poderá fazer um exame físico detalhado e solicitar a realização de ressonância nuclear magnética ou ultrassonografia com preparo intestinal, que devem ser realizados em centros especializados no diagnóstico da endometriose.

 

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Síndrome ovário policístico

  1. O que significa ovário policistico?

Devemos diferenciar OVÁRIO POLICÍSTICO da SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS, pois são duas coisas completamente diferentes.

O ovário policístico é o achado no exame de ultrassom transvaginal de 12 ou mais folículos (cistos) menores que 10 mm em cada ovário (pode ser somente em um) ou pelo menos um ovário maior do que 10 cc, sendo que este ultrassom deve ser realizado até o 5º dia do ciclo menstrual (ou seja, a contar do 1º dia da menstruação) e não pode estar usando anticoncepcional.

Já a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma alteração hormonal que atinge as mulheres em idade reprodutiva e caracteriza-se por apresentar pelo menos 2 desses 3 achados:

  • Anovulação crônica (falta de ovulação) – assim não menstrua ou menstrua poucas vezes durante o ano.
  • Hiperandrogenismo – que pode ser clínico (aumento de pelos, queda de cabelos, acne, aumento de oleosidade) ou laboratorial (aumento dos hormônios masculinos – principalmente a testosterona)
  • Presença de ovários policísticos ao ultrassom – 12 ou + folículos menores que 10 mm em cada ovário ou ovário maior que 10 cc (pode ser somente 1)
  1. Ele pode afetar o meu desejo sexual?

Geralmente a síndrome dos ovários policísticos não altera o libido (desejo sexual) nem a capacidade de atingir o orgasmo, mesmo porque o hormônio responsável pelo desejo sexual é a testosterona que encontra-se muitas vezes aumentado nestes casos.

  1. É comum sentir cólicas em excesso?

Geralmente as cólicas não estão relacionadas à síndrome dos ovários policísticos, pois elas, na maioria das vezes, ocorrem em ciclos ovulatórios, ou seja, em que ocorreram ovulação, que não é o caso da SOP, mas pode sim haver certo desconforto na região pélvica quando os ovários estão muito aumentados, mas é raro.

  1. E quanto a dores na penetração?

Não há relação entre dor na penetração e síndrome dos ovários policísticos.

  1. Existe algum tipo de ovário policístico que pode aumentar o desejo sexual?

Teoricamente os casos em que os hormônios masculinos estão aumentados poderiam ter um aumento do desejo sexual, mas normalmente não há alteração.

  1. Como uma mulher com ovário policístico deve se proteger sexualmente? E contraceptivos?

Apesar da mulher com a síndrome dos ovários policísticos apresentar anovulação crônica, isto é, não ovular regularmente, ocasionalmente ela ovula e pode engravidar, portanto se não deseja engravidar deve se proteger com preservativos, DIU, mas o mais indicado seriam os anticoncepcionais (caso não tenha contraindicações), pois já seria uma forma de tratamento.

  1. É uma doença ou uma condição? Tem cura? Quais são os tratamentos?

Esta é uma alteração hormonal na qual diversas variantes genéticas e fatores ambientais contribuem para o aparecimento da síndrome do mesmo modo que as doenças cardiovasculares, a diabetes tipo II e a síndrome metabólica. É difícil dizer se tem cura ou não, porque não existe um remédio mágico ou uma cirurgia que administremos ou façamos que tiremos o problema com a mão e tudo volta ao normal. Vai depender muito de uma mudança de estilo de vida da paciente, pois a perda de peso e exercícios físicos são as estratégias iniciais para o tratamento das mulheres obesas ou com sobrepeso com SOP e estas são entre 40 a 85% das mulheres com SOP. A redução de 2 a 7% do peso corporal já reduz os hormônios masculinos, melhora a função ovariana fazendo com que o ovário volte a apresentar ovulações e a mulher volte a ter ciclos regulares, melhora a sensibilidade à insulina, diminuindo riscos de desenvolver diabetes tipo II e doença cardiovascular.

Além da dieta e exercícios, instituímos tratamento para:

  • Melhorar os sintomas do hiperandrogenismo – acne, aumento de pelos e queda de cabelo
  • Paciente que não quer engravidar – uso de anticoncepcionais
  • Paciente que quer engravidar – indução da ovulação
  • Drogas sensibilizadoras da insulina – utilizadas quando as pacientes não conseguem mudar seus hábitos de vida com dietas e exercícios
  1. É obrigatório o uso de pílula? E as pacientes que não querem tomar pílula?

As pílulas ou anticoncepcionais orais são utilizados para as pacientes que não querem engravidar. As que querem engravidar são tratadas com indutores da ovulação. Agora se houver uma paciente que não quer engravidar e não quer tomar pílula, podemos pensar em outras formas de tratar, não há uma regra, todo tratamento é individualizado para cada paciente. É preciso sempre ser discutido entre médico e paciente para ser encontrada a melhor opção para cada uma.

 

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Gestação de 12 meses… Isso existe?

GESTAÇÃO DE 12 MESES, ISSO EXISTE?

 

Gestação de 12 meses????? Essa médica deve estar maluca!!!! E eu lá sou baleia ou camelo para ter gravidez de 12 meses!!!!

Calma…. calma….

Este é um novo conceito de que você deve começar a se preparar para a gravidez, pelo menos, 3 meses antes de engravidar  a fim de ter uma gestação  mais tranquila e saudável possível, com o mínimo de intercorrências.

E o que é preciso fazer?

Antes de mais nada, procurar seu ginecologista, verificar com ele como está sua saúde:

  • Avaliar peso, pressão arterial;
  • cuidar da alimentação, se necessário fazer uma avaliação com a nutricionista, mas priorizar uma dieta rica em frutas, legumes, grãos, ovos, carnes ofertando uma quantidade suficiente de vitaminas, proteínas e sais minerais muito importantes nesta fase;
  • se fumar, entrar em um programa para parar de fumar;
  • atualizar seus exames (Papanicolau, hemograma, glicemia, sorologias, exame de urina, tipagem sanguínea – você pode ver esses exames e todos os exames realizados durante o pré-natal detalhadamente)
  • completar sua carteirinha de vacinação;
  • iniciar, caso ainda não faça, um programa de exercícios físicos, nem que seja uma caminhada 3x por semana.

Feito tudo isso, é necessário começar a suplementação com ácido fólico. ÁCIDO FÓLICO??? Mas o que é isso? Para que serve? Quanto tempo vou ter que tomar isso?

O ácido fólico ou vitamina B9, é uma vitamina que ajuda a diminuir a incidência de má formações nos bebês como anencefalia (bebê que nasce sem cérebro), espinha bífida (a coluna aberta). Você deve iniciar pelo menos 3 meses antes de engravidar até o terceiro mês de gestação, mesmo que demore para engravidar, continue tomando, pois para você não faz diferença, mas para o bebê pode fazer toda a diferença.

Veja também com seu médico a necessidade ou não de repor iodo. No Brasil o sal que utilizamos é suplementado com iodo para tentar suprir a deficiência deste mineral que é essencial para o perfeito funcionamento da tireoide. Na gestação e durante a lactação há uma necessidade maior de iodo para suprir a necessidade para a formação dos hormônios para o perfeito funcionamento do organismo, a transferência de hormônios e iodo para o feto, além de haver uma maior eliminação deste mineral pelos rins nesta fase.

Como você pode ver para ter uma gestação tranquila e minimizar os riscos é preciso planejar com cuidado

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