endometriose

Cólica menstrual forte pode ser sintoma de endometriose

Cientificamente chamada de dismenorreia, a cólica menstrual é um desconforto na região abdominal. Caracterizado por pontadas abaixo do abdômen, que podem se espalhar por toda a região, inclusive atingindo a área lombar. Esse sintoma pode ser acompanhado por náusea, vômito, diarreia e tontura.

Na maioria das mulheres, as dores são brandas, mas, em outras, elas podem ser mais intensas e até levar à condição de incapacitação.

Esse fenômeno se inicia logo nos primeiros anos de vida, após a primeira menstruação, sendo mais intenso nas adolescentes, devido ao amadurecimento dos ovários e à dimensão reduzida do útero. Trata-se de um processo natural por cujos sintomas muitas adolescentes possam passar incólumes.

A dismenorreia primária é aquela decorrente desse processo natural. Inicia-se antes da menstruação e tem duração de no máximo 72 horas. Os sintomas tendem a se atenuar a partir dos 20 anos e posteriormente à gravidez.

Caso o desconforto perdure por mais tempo, e de forma intensa, é preciso que a paciente se submeta a uma investigação médica. A razão é que tais dores podem ser consequência de alguma doença do aparelho reprodutor, como infecções, cistos ou fibroide.

Endometriose

A doença mais comum do aparelho reprodutor, no entanto, é a endometriose. Este mal acomete cerca de seis milhões de mulheres no Brasil. Trata-se de uma enfermidade perigosa, condicionada por fatores genéticos. Ela pode afetar de 10% a 15% das mulheres em idade fértil, das quais 30% podem ficar estéreis.

O endométrio é o tecido que reveste toda a parede interna uterina. Esse tecido é afetado pelo aumento da produção de estrogênio e progesterona pelo organismo. São os hormônios femininos ligados à fecundidade. Quando há maior produção desses hormônios, eles induzem um espessamento do endométrio. Esse processo ocorre quando o corpo está se preparando para ser fecundado, no período fértil. O espessamento do endométrio é fisiológico e é uma adaptação para receber o feto.

Quando não ocorre a fecundação, esse tecido sobressalente é eliminado no sangue, através do processo que conhecemos como menstruação.

Ocorre que, em alguns casos, em vez de ser expelido através do orifício do colo do útero junto com o fluxo menstrual, porções deste endométrio são levados para o ovário, através as trompas e mesmo para outros órgãos dentro da cavidade abdominal. Essa disfunção acarreta as cólicas intensas.

Tratamento

A endometriose pode ser combatida com medicamentos ou cirurgia. Em alguns casos, as terapias podem ser aplicadas em conjunto.

No tratamento cirúrgico, o endométrio é removido através de laparoscopia. Em alguns casos, via laser. Em situações mais graves, é necessário remover o próprio órgão afetado.

O tratamento com medicação inclui basicamente analgésicos e anti-inflamatórios. O uso da pílula anticoncepcional também reduz os sintomas provocados pela endometriose, mas todas essas medicações tratam os sintomas e não a doença.

O diagnóstico da endometriose é feito através de exames de imagem, complementados por uma biópsia, normalmente por volta dos 30 anos, apesar de muitas vezes este diagnóstico ser tardio.

O importante é deixar claro que a cólica menstrual não é, necessariamente, indicador de alguma doença, muito pelo contrário. Não obstante, a mulher deve se submeter ao acompanhamento médico e consultar o ginecologista, no caso em que esse quadro ocorra de forma atípica, mais demorada e intensa.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder os seus comentários sobre esse assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista em São Paulo.

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Posted by Dra. Cristina Carneiro