aborto espontâneo

Aborto espontâneo: por que acontece e como evitá-lo?

Aborto espontâneo: por que acontece e como evitá-lo?

Estudos mostram que a taxa de aborto espontâneo entre mulheres com até 35 anos é de 15%. Trata-se de uma taxa bastante alta, se considerarmos os aspectos emocionais, sociais e familiares relacionados à gravidez, o que sugere a necessidade de as entidades governamentais de saúde se debruçarem sobre o tema.

Junte a isso os casos de aborto induzido, sobre os quais dados apontam 850 mil casos por ano. Esses acarretam, ainda, a morte de uma mulher a cada 2 dias, em consequência de procedimentos clandestinos. Nas mulheres acima de 40 anos, a gravidez é naturalmente de risco, e, entre 30% e 40% delas, abortam espontaneamente.

Num país em que a pirâmide etária caminha rapidamente para o envelhecimento da população, esses dados se tornam ainda mais alarmantes, pois trazem impacto social e econômico negativo.

Causas do aborto espontâneo

O aborto é espontâneo quando acontece independentemente da determinação da mãe. A maioria dos casos ocorre antes do final do 3º mês de gestação, período em que o processo de formação do feto é inicial e intenso, com a implantação do óvulo fecundado no útero, a divisão celular e o desenvolvimento dos primeiros órgãos vitais e das primeiras estruturas.

Além da idade materna, reconhecida como fator de risco, em razão de fatores genéticos, alterações uterinas e falhas na adaptação do feto no útero podem ocasionar o aborto.

A presença de doenças infecciosas ou sistêmicas, que podem afetar o embrião, a exposição a agentes externos nocivos, como químicos tóxicos, distúrbios do sistema endócrino e desequilíbrio hormonal são fatores de risco. Principalmente este último, pois são os hormônios os responsáveis pelo equilíbrio do processo de gestação.

Condições de saúde, como presença de diabetes, DST, citomegalovírus e ovários policísticos, são fatores de risco para a gravidez. Hábitos nocivos, como tabagismo, uso de drogas, álcool e abuso de cafeína também aumentam o risco de aborto, assim como se a mãe teve casos precedentes de perda de bebê durante a gestação. É indicado que, para evitar reincidência, a mulher procure identificar as causas que levaram ao 1º aborto, para tratá-las se necessário.

Caso a gestante, durante o período inicial da gravidez, observe espasmos abdominais, contração, sangramento e febre alta, deve procurar imediatamente o médico, pois esses são sintomas de processo abortivo.

O que fazer para evitar?

Além de identificar a razão de casos anteriores já ocorridos no histórico da mulher, há medidas que ajudam a mãe a evitar o aborto espontâneo. Procurar fazer exames que antecedem a gravidez, tanto no homem quanto na mulher, ajuda a prevenir, inclusive, o risco de doenças de natureza genética ou cromossômica.

Além disso, realizar o pré-natal, seguir as orientações médicas, cuidar da alimentação, fazer repouso e suspender medicação que traga risco para a gravidez são medidas importantes. Em alguns casos, pode ser recomendada a suplementação com ácido fólico e terapia hormonal para contornar fatores de risco.

Uma boa notícia é que, recentemente, o Victor Chang Cardiac Research Institute, da Austrália, descobriu que uma deficiência no dinucleótido de nicotinamida e adenina, uma molécula importante na formação do bebê, é uma das causas mais comuns de abortos espontâneos. Pesquisas mostram que o problema pode ser controlado com suplementação de vitamina B3. E testes feitos com cobaias mostraram que há chance de até 100% de sucesso, inclusive na eliminação dos problemas de má-formação dos embriões.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como ginecologista em São Paulo.

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Posted by Dra. Cristina Carneiro in Todos